-
FAÇAMOS JUNTOS !!!
Por Fabrício Nobre
Ao final deste ano se completarão 5 anos que estou literalmente a frente da discussão (e da ação) que diz respeito ao rumo da produção e do desenvolvimento de um renovado cenário pra musica brasileira. Na verdade desde que saí da puberdade estou envolvido nesta até o último fio de cabelo, que continuam crescendo e agora começam a ficar brancos bem lentamente, ainda bem…
Já fiz tantas palestras, participei de tantas mesas, escrevi em tantas comunidades virtuais, participei de um sem fim de eventos em todos os cantos do país (e cada vez mais em muitos cantos do planeta, uma vez que o Brasil se torna referencia em várias ações no mesmo sentido mundo a fora) tratando deste e de outros assuntos relacionados, que muitas vezes me furto a tentar dar uma opinião mais pontual sobre cada coisa, responder cada blog, texto na imprensa, entrar em cada treta e, na real, o tempo e desgaste que se tem fazendo isso pode tirar o foco principal da minha função e trabalho que é, representando meus pares, realmente desenvolver uma ação cada vez mais sólida e uma plataforma mais eficiente para a fruição deste novo momento da música do Brasil.
Opiniões e discussões de todos, vinda por todos os lados, são válidas; fofocas e espocadas de mal caratismo não, e cada um entende o que é isso e de onde vem como quer. Sendo assim, algumas vezes temos que tentar colocar alguns pontos de vista para debate, vamos lá:
Na minha sincera opinião, as tais brigas, embates ou vários rachas (dizem por aí) entre: produtor x musico x festival x jornalista e aí vai: patrocinadores x governo X técnicos x demais agentes da tal “cadeia produtiva e criativa” da tal “musical independente” (expressões que tem gente que odeia, mas eu acho EXCELENTES, pois são estas expressões mesmo que sintetizam o espaço em que estamos colocados, mas aí iria mais um livro para explicar) são as únicas coisas que podem realmente emperrar um desenvolvimento mais célere deste novo modelo de produção, relação de trabalho e fazer cultural (principalmente musical).
Enquanto as bandas, músicos, artistas, produtores, diretores de selos, promotores de festivais, membros de coletivos, agentes políticos de cultura, produtores de discos, técnicos, formadores de opinião (tá, expressão ruim, mas só para incluir jornalistas, bloggers, gente da TV, webradio no mesmo barco) não perceberem (isso até que vai ser rápido) e entenderem (vai demorar mais, pelo visto) que estão no mesmo lado, ou melhor ainda, que estes indivíduos são muitas vezes UM MESMO SER HUMANO que faz isso tudo, fudeu!
Repito, temos que perceber e entender que: ou somos um só que realiza todas (ou várias) destas atividades simultaneamente, ou que, no mínimo, estamos no mesmo barco e que temos que remar para o mesmo lado!
A discussão sobre quem paga ou recebe o que? Quanto? Como? De quem? É menos importante, bem menor, do que a que deve ser travada no momento atual que, na minha opinião, é: de que modo vamos trabalhar, nos evolver, juntar forças para realmente criar condições cada vez melhores para todos estes agentes, que fazem um pouco ou tudo, possam ter espaço / circuito / plataforma / mercado sustentável, integrado e desenvolvido.
E estes agentes são contatos aos milhares.
O grande lance é se entender parte do todo, e dar o máximo de si, em todas as áreas, entendendo sua função (ou funções) e absorvendo muitas vezes parte das funções dos outros, trocando num trabalho continuo e compromissado com o processo, e não com o fim.
Se não vejamos, analisando apenas a tal fatia que diz respeito a “musica independente”, “alternativa” ou “não umbilicalmente ligada ao modelo anterior”:
- Circuito de festivais hoje está absurdamente ampliado e literalmente espalhado para todos os cantos do país, e tem cada vez mais e melhor estrutura para apresentação artística (som, luz, técnica e etc têm um padrão nacional muito superior ao de 10 ou 15 anos atrás); produções locais com transfers, hospedagens, alimentação, catering cada vez em melhor padrão; programação cada vez mais diversa e ampliada, mesmo nos festivais que atendem segmentos específicos; pagamentos de ajuda de custo e cachês que se não chegam ao ideal, mas certamente apontam para um crescente;
- Circuito de casas noturnas, espaços coletivos para apresentação musical, teatros, etc: cada vez mais preparados para recebimento de shows autorais, turnês individuais ou coletivas nacionais ou regionais, e abertos apresentações de nomes locais, de uma maneira mais continua;
- Produção musical crescente e diversa, vinda de todos os cantos do pais (basta se atentar para trabalhos já lançados esse ano), e dialogando com todas as partes do mundo (basta perceber a crescente vinda de artistas de pequeno e médio porte para o Brasil, e participação de artistas brasileiros no circuito internacional de Leptospirose a Céu, de Boss N Drama a Spok Frevo);
- Estruturação dos coletivos, que não param de surgir em todo o país, dando suporte para a circulação de bandas, ampliando a distribuição de produtos, dando visibilidade aos artistas, agentes e suas ações. Neste último mês, por exemplo, 5 vans saíram em tour com 2 ou 3 bandas tocando de segunda a segunda por varias cidades brasileiras, das mais diversas regiões. Quando tivemos isso de forma tão organizada?;
- Ampliação das feiras de musica, conferencias, eventos de debate que discutem momento em si, apontam rumos para novos momentos;
- O relacionamento dos grupos do segmento musical organizados da sociedade entre si (um grande exemplo é a REDE MUSICA BRASIL) e, a partir daí, com setores públicos que tratam principalmente da cultura, mas também do turismo, educação, economia, relações de trabalho, no sentido de construção de políticas mais consistentes, fugindo ao balcão (pratica anterior) e caminhando para lançamento de editais e ações cada vez mais abrangentes e discutidas publicamente.
- O investimento, mesmo que tímido, mas crescente, de entes do setor privado em “projetos”, “atividades”, “eventos”, “ações”, e etc ligadas diretamente ou que tangenciam a musica independente;
- Centenas de milhares (provavelmente milhões de pessoas), público e/ou agentes de cultura (que cada vez mais se confundem ou fundem), em boa parte do pais, capitais ou interiores, estão tendo acesso ampliado (LONGE DO IDEAL, CLARO!) a uma musica mais diversa pela experiência do encontro ao vivo, da MARAVILHOSA rede de internet, da penetração mesmo que tímida desta musica nas TVs (abertas menos, fechadas pouco, publicas um pouco mais) e pelas rádios públicas e livres (já as rádios comerciais, estas sim estão mesmo cagando para gente…).
Entre outras coisas…
E aí, leio por aí indagações tais como “se o momento é bom, se está esta maravilha toda, por que não temos um grande artista novo, estourado nacionalmente?”, “por que músicos não tem recebido para tocar?”, “por que tanto investimento público?”, “tem gente enriquecendo com estas verbas públicas, esquemas de produção, e milhares de artistas e trabalhadores da cultura aí fudidos?!” Por que?! Por que?! Por que?!
Olha vou dizer, o tal artista novo estourado nacional vai ser cada vez mais difícil de acontecer, felizmente! Porque o momento é outro e prega isso, artista é um trabalhador de classe média como outro qualquer, como qualquer membro da cadeia produtiva e criativa. Não vai se ver um novo popstar. Como também não vai se ver um produtor gigante, enriquecendo com produções megalomaníacas, ou com agencias que tiram o couro dos artistas que querem um patrão.
Outra: o investimento de recursos públicos, felizmente crescente nos últimos anos nas mais diversas esferas, nem de longe é o ideal. Mas graças ao trabalho e exemplo das ações de cultura num ambiente de governo popular em que vivemos passa longe do “balcão” de momentos anteriores, e vive um saudável momento de distribuição descentralizada, pautada por editais públicos com critérios cada vez mais claros, e atendendo a demanda dos mais variados grupos da sociedade civil organizada, que felizmente para o meio musical hoje encontra-se aberto a um dialogo cada vez mais público e maduro.
Se não vejamos, em que outro momento um rapper líder da Central Única das Favelas de Mato Grosso, um advogado carioca que representa as quatro grandes gravadoras multinacionais, um ex baterista que realiza feiras de musicas no Ceará, um vocalista de uma banda rockeira e produtor de festivais de Goiás, um pianista erudito paulista, um DJ e radialista sergipano que atua no Pará, entre outras caras diversas representantes da nossa musica, sentariam numa mesma mesa, sempre que possível, por iniciativa própria, mas com a chancela do governo, para pensar políticas, editais, ações, para beneficio da bendita da cadeia, pensando nos músicos, na musica, nos diversos trabalhadores, agentes que a formam essa musica, pensando em principalmente ações que alcancem o público, as pessoas, que mais gente escute e se envolva com essa tal musica.
Seguindo… em que outro momento se debateu tão abertamente o tema, de forma tão pública, como tanta intervenção de “grande parte dos interessados” ? Quando a imprensa e os tais “formadores de opinião” participaram tanto das discussões, e influenciaram tanto as decisões, em qualquer esfera? Nunca se ouviu tanta palpite, nunca opiniões tão distintas foram notadas. Nunca música, política, imprensa e público estiveram tão próximos. Claro, é o momento, é a internet, é o governo popular, sim, felizmente, graças a JAH! Mas também é o comprometimento dos players, dos agentes que lideram tais discussões. São centenas, milhares de pessoas, grupos, coletivos, entidades participando ativamente e comprometidamente que constroem a publicidade desse ambiente!
E mais: são todos estes agentes trabalhando num ambiente cada vez mais diverso e público que fazem o produzir musical uma ação política relevante, que demonstram com números e dados cada vez mais consistentes a força do produção musical na economia deste ambiente, que criam espaços para ocupação e formação das pessoas.
Como li num twitter de Pena Schmidt é impossível enteder música em 2010 sem saber relacionar Musica + Política + Economia + Educação.
Hoje são milhares de artistas / músicos / técnicos, trabalhadores relacionados a esse “cenário” ou “mercado”, felizmente mais gente ocupada com musica e mais gente para receber partes do bolo que, sim esperamos que cresça e continue crescendo, mas sabemos que vai ser de forma gradual e com trabalho brutal, pesado, pensado, negociado, viajado, também feito de uma outra forma, nunca feita antes. E fica cada vez mais claro, pelo menos para mim, que não é esfregando parte deste bolo um na cara dos outros, dizendo que o bolo do outro está sem açúcar, ou que falta a sua cereja em cima dele, e nem comendo o bolo todo sozinho que vamos fazer a musica brasileira avançar.
Não é partindo para briga boba, para acusação leviana e sem profundidade, e não é disparando textos, opiniões, fofocas, sem pesquisa, envolvimento e, mais ainda, sem um pensamento comprometido e conseqüente que vamos conseguir fazer desenvolver com a velocidade que precisamos um modelo realmente atual, 2010, para o fazer cultural, relações de trabalho e fazer musical.
Tenho dito isso em muitas de minhas falas por aí, e não é uma expressão minha, colei de uma palestra do pessoal do Un-Convention, que se num primeiro momento o ideal para musica independente , para punk rock, é o Do it Yourself (Faça Você Mesmo), hoje esta musica só é possível num outro modelo: o Do It Together (Façamos Juntos). Estou cada vez mais convencido disto.
Fabrício Nobre é vocalista da banda MQN (www.mqn.com.br), diretor da Monstro Discos e Produções (www.monstrodiscos.com.br) e fundador / presidente da ABRAFIN (www.abrafin.org)
-
Saudações be-inísticas!
Caros,
Sei que estão todos ansiosos por novidades sobre o festival, nós também estamos! rs Temos trabalhado muito para fazer acontecer o Be-In Festival 2010. Mas sabemos que produzir um evento desse porte, em sua primeira edição, não é tão simples assim. Exige dedicação, perseverança e paciência. Estamos firmes no corre corre diário, somando esforços com novos parceiros e na busca incessante por patrocinadores. Já demos bons passos nessa caminhada, logo contaremos tudo!
Estou estreiando hoje o site, eba!!!! ( a empolgada). Sejam bem-vindos!!! Por aqui vocês poderão acompanhar melhor o passo a passo, a labuta e as durezas da produção do Be-In. Postaremos sempre que possível, cada passo significante ou não, que dermos. E vamos juntos! Comentem, ajudem a divulgar, dêem dicas, sugiram parcerias, participem! Afinal, o festival é feito por e para nós todos amantes da música!
E já aproveito para agradecer o apoio dos nossos parceiros Geléia Moderna e Monstro! E claro, agradecemos aos nossos programadores visuais pelo carinho com que construiram esse site! =D
Rock On! \m/
Dani Baleeiro
Arquivo
- abril 2010 (1)
- março 2010 (1)
Últimos Posts
Últimos Comentários
Temas
Posts por Data
| S | T | Q | Q | S | S | D |
|---|---|---|---|---|---|---|
| « abr | ||||||
| 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | |
| 7 | 8 | 9 | 10 | 11 | 12 | 13 |
| 14 | 15 | 16 | 17 | 18 | 19 | 20 |
| 21 | 22 | 23 | 24 | 25 | 26 | 27 |
| 28 | 29 | 30 | 31 | |||

